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Tribo de Jah: está lançando trabalho internacional, confira com exclusividade

 

A Tribo de Jah está levando todo seu reggae às estradas do mundo em uma turnê que até o fim do ano passará por México, Estados Unidos, Guiana Francesa, Indonésia, Austrália e provavelmente Japão.

De passagem por Londres, depois de 4 shows no Canadá - onde a banda lançou um CD duplo para o público canadense e americano por uma das maiores gravadoras canadenses, a “Select” - os Regueiros Guerreiros do Maranhão fizeram duas apresentações na capital Britânica. E nós tivemos a chance de um bate-papo bem descontraído com Fauzi Beydoun um pouco antes da segunda apresentação da semana na casa de espetáculos "Colliseum", ao sul de Londres (a primeira apresentação foi no Guanabara, bar temático brasileiro que fica em Holborn, centro da capital e onde a Tribo já havia se apresentado no passado).


Confira as fotos exclusivas do show da Tribo de Jah em Londres



Confira a entrevista exclusiva na íntegra realizada por Rodrigo Mota (Reggaevale na Europa)

(Site Reggae Vale) Quais são suas expectativas para essa nova turnê internacional ?

(Fauzi) A Tribo apesar de ter 22 anos de estrada, agora está em um momento intenso de trabalho como nunca teve na carreira, estamos vindo de 4 shows no Canadá, em Montreal e Toronto, onde nós lançamos um disco duplo pela maior gravadora de lá, a “Select”, especialmente para o público americano e canadense, o que é um grande marco na carreira da banda, os shows no Canadá tiverem uma cobertura da mídia que nem os organizadores/produtores esperavam, a TV de maior audiência por lá abriu espaço para a Tribo, e isso surpreendeu a todos nós!
A banda já saiu do Brasil com um novo trabalho pronto que é o "Refazendo", que vai sair pela Som Livre/LGK, e é um trabalho muito importante também pelas mésicas inéditas e releituras que marcaram os momentos especiais da banda. O reconhecimento de todo esse tempo de trabalho, os elogios principalmente pela originalidade da banda, como você sabe, a gente toca em português, espanhol, francês e inglês e adapta o repertório dependendo do lugar que estamos tocando, esse diferencial tem recebido muitos elogios da midia, não to dizendo que a banda seja melhor que outras ou nada do tipo, mas esse reconhecimento e diferencial e muito gratificante!
Saindo aqui da Inglaterra agora, nós vamos ao México e Estados Unidos para complementar a primeira parte dessa turnê, e aí sim, voltar ao Brasil para o trabalho de divulgação do novo álbum e para a gravação de um novo DVD – Ao vivo na Amazônia (Live in Amazon), para o mercado mundial. Acho que vai ser bem legal, nós vamos subir o Rio Amazonas de barco, vamos tocar no Amapá, em Belém do Pará, Manaus, São Luis, vamos fazer um documetário sobre o reggae em São Luis para sair dentro do DVD, e muita coisa que está vindo todo esse ano. Depois uma pequena pausa, mas ainda esse ano, a partir de setembro, continuaremos a turnê mundial, começando pela Güiana Francesa, Austrália, Indonésia e provavelmente Japão, que ainda não está confirmado. Como voce vê, tudo isso acontecendo, algumas dessas coisas até que inesperadamente, estamos numa correria doida e tentando administrar tudo de uma forma plausível, para que dê para fazer tudo que queremos esse ano.
Então como você pode ver, tudo isso diretamente ligado à essa nova fase da Tribo que é o mercado mundial, estamos trabalhando focados no mercado mundial agora, ainda esse ano temos convites para tocar na Jamaica através de uma produtora local chamada "Junior Star", que tem sede em Nova York. Depois ainda pretendemos voltar ao Estados Unidos e Canadá, onde o trabalho de divulgação feito pela "Select" está sendo intensivo, um trabalho de base mesmo, essas semanas que estivemos lá já era possivel ver os discos nas prateleiras e tal, um trabalho bem legal.

(Site Reggae Vale) O lançamento do "Love to the World, Peace to the People" foi o momento no qual vocês decidiram que era realmente a hora de botar a cara no mundo e começar trabalhar focado para o mercado mundial?

(Fauzi) Pô, falei tudo aquilo, mas queria complementar isso aqui, o disco "Babylon Inside", foi lançado na Argentina para o mercado hispânico, que também é um marco importante, além do mais, agora querem que a gente grave tambem um DVD lá na Argentina, apenas com músicas em espanhol para o público hispânico. Até falei: pô magnata é muito lançamento, disco, dvd, agora querem esse dvd, não sei se vai dar pra fazer esse ano não, tudo esse ano uma correria doida, não temos nem agenda ainda pra ir pra Argentina, mas vamos dar um jeito de ir lá e quem sabe gravar esse DVD, ainda falei: pô distribui o que vamos lançar e os caras disseram não, queremos que gravem aqui.
Queriam em Setembro, aí falei: Setembro não dá, estou trazendo o Clinton Fearon pra gravar o DVD com a gente lá no Brasil e ele já está confirmado, vou tentar leva-lo para Argentina também, mas enfim... como você perguntou do "Love to the World", a Tribo ja vinha tocando mundo afora à alguns anos, fizemos os maiores festivais de Reggae do mundo, mas não tinhamos material para deixar especificamente para esse público, então a gente teria que gravar o CD, acho que foi o momento certo e tenho certeza de que o resultado desse trabalho todo está vindo aí.

(Site Reggae Vale) O "Love to the World, Peace to the People" foi lançado no momento independente da banda, vocês ja tinham contato com a gravadora?

(Fauzi) A banda escolheu, nós optamos por fazer o trabalho independente, abandonamos a gravadora e lançamos o "Love to the World" e o "Babylon Inside" de forma totalmente independente.

(Site Reggae Vale) E essa ligação com a Som Livre agora ?

(Fauzi) Isso aí foi um fato novo, que veio através do antigo presidente da "Indie Records" (antiga gravadora da Tribo) que lançou uma gravadora nova que é a LGK, ele está sendo distribuído pela "Som Livre" e eles tiveram total interesse em lançar esse trabalho novo da Tribo, o que também é muito importante, pelo fato da "Som Livre" ter essa projeção nacional muito grande, e para gente a distribuição é muito importante.

(Site Reggae Vale) Falando em distribuição, quando se faz um trabalho independente como fica esse lance? Principalmente quando se quer alcançar o mercado externo?

(Fauzi) Não, não há distribuição, simplesmente não rola, nao dá! Mesmo no Brasil por incrível que pareça, a gente não teve distribuição do CD.

(Site Reggae Vale) E por esse motivo vocês decidiram disponibilizar os álbuns para download?

(Fauzi) Sim também, o objetivo é realmente divulgar, mais importante do que comprar o disco o interessante é ouvir o disco, e conhecer a música, e ter acesso ao trabalho. Como não conseguimos uma distribuição como a gente gostaria, propostas de distribuidoras tivemos muitas, mas não achamos alguém que pudesse fazer o trabalho como gostariamos e acabou que ficamos sem distribuição.

(Site Reggae Vale) O Projeto "Live In Amazon" vai ser gravado durante a tour de lançamento do "Refazendo" ou será um projeto à parte?

(Fauzi) Não, já éa tour de lançamento do "Refazendo" e ao mesmo tempo a gravação do DVD, e que vai ter a participação mais do que especial do Clinton Fearon, que é um cara fantástico!!!! Uma verdadeira raiz do reggae, ele é fundador dos "Gladiators", é uma lenda viva do reggae. Eu particularmente tenho uma admiração toda especial por ele, eu já trouxe mais de 10 grandes nomes do reggae ao Brasil, a primeira vez que "The Gladiators" vieram ao Brasil fui eu quem trouxe, trouxe também U-Roy, Itals, e outros... Mas falando do Clinton, eu tenho uma admiração muito especial por ele, ele é uma pessoa maravilhosa, voce pode se apaixonar por ele sem mesmo gostar da musica dele, e hoje em dia é muito raro isso, uma coisa é o talento, e outra é o caráter da pessoa, eu acho que só talendo sem caráter não dá não...tivemos algumas decepções relacionadas à isso... O Clinton ficou uns 10 dias em casa da última vez que ele veio e foi muito legal, ficou bem à vontade e até fez uma música que ele vai gravar que é a “Home away from Home” – Casa Longe de Casa – em que ele fala dessa vinda dele ao Brasil e dessa experiência do lar longe da própria casa, muito bacana!!!

(Site Reggae Vale) Você participou do projeto SOS Mata Atlântica à alguns meses em São Paulo, o seu novo projeto "Live in Amazon" vai mostrar ao mundo um dos lugares mais comentados e cobiçados da atualidade, que é a Amazônia, como é essa relação entre a música da Tribo e projetos sociais e de preservação ambiental?

(Fauzi) A Tribo sempre gravou músicas de apelo ecologico. No repertório da da banda tem algumas músicas do gênero e nós gravamos também no "Love to the World" algumas. Nesse novo trabalho que está saindo nós gravamos uma música de um grande regueiro brasileiro, o Nengo Vieira, que por sinal sou um grande fã, e essa música dele eu acho genial que é “Mata Atlântica”, a temática ecológica sempre esteve presente, músicas como "Fogo e Água", que a gente gravou agora em inglês no "Love to the World" (Water and Fire), "Civilização Fluvial" e outras que também serão inseridas nesse trabalho do DVD, o objetivo é realmente fazer um apelo à preservação, respeito à vida na verdade, não é? O que será de nós sem a natureza? A sede de consumo, o capitalismo selvagem está tornando a cada dia a vida mais dificil nesse planeta. A gente está muito consiente disso e todos prevêem dias muitos dificeis vindo pela frente, veja você, a babilônia em chamas na California, o aquecimento global, o fogo queimando tudo e a tendência é só piorar, inclusive nas matas brasileiras.

(Site Reggae Vale) Ainda relacionado à natureza, mas falando também um pouco de certos lugares especiais para você, lugares esses muitas vezes presentes em suas letras. Você poderia falar um pouco sobre o litoral norte paulista que ta ali tão proximo ao Vale do Paraíba e da sua admiração por Trindade por exemplo?

(Fauzi) O litoral norte de São Paulo, na minha opinião é um dos cartões postais mais bonitos do Brasil e é interessante porque não é explorado turisticamente. É claro sim, a praia do paulista, do paulistano, mas tem muito à oferecer, poderia ser um destino internacional, é uma beleza linda. A mata, a serra, as cachoeiras e o mar, tudo ali conectado de uma forma única no Brasil e talvez no mundo. Falta a consciência das autoridades relacionadas ao turismo no Brasil e principalmente em São Paulo de verem que aquela região é uma pérola que pode muito bem ser explorada. Claro que o litoral brasileiro em um todo é maravilhoso, mas acredito que o litoral paulista merece um respeito maior das autoridades. Você falou de Ubatuba, pê, eu tive uma vida toda ali, começando lá na Prainha Branca de Bertioga onde eu ia muito acampar, antes mesmo de ir para o Maranhâo, ainda nâo tinham nem feito a Rio-Santos, acampava muito ali no Camburi, em Sâo Sebastiâo e subia o litoral todo em uns ônibus no estilo pau-de-arara, muitas vezes eles iam pela praia, não tinha estrada ali não. Acampava também lá no Camburi pertinho de Trindade, compus "2000 Anos" ali, compus também minha primeira música em espanhol lá, em parceria com um uruguaio louco que apareceu por lá, a gente chamava ele de “El Gringo”, a música “Ciudad y Puerto”, uma música linda mas nunca a gravei. Subindo um pouquinho mais a gente chega em Trindade, não é? A primeira vez que estive lá a estrada principal era de terra, não tinha nada la, só um emporiozinho de caiçara que só vendia enlatados... dali vinha a sardinha em lata do almoço, as velas (risos)... isso foi mais ou menos em 1981, então, tenho muitas histórias ali, muitas boas lembranças, momento intensos e que estão guardados no coração, por isso, o carinho tão grande pelo litoral norte ali e toda aquela região.

(Site Reggae Vale) Magnata, fala um pouco pra gente do que está rolando no Brasil, como você esta vendo a cena Reggae no nosso país? Algum nome em especial? Alguma nova revelação?

(Fauzi) O que me marcou no Brasil mais recentemente, lembrando que eu estou mais em Sampa no momento, claro que eu acompanho a cena desde que tudo comecou, a Tribo é uma das pioneiras no cenário, e era frustrante para gente não ter essa cultura reggae no Brasil, a gente tocava e amava o reggae mas ninguém sabia nem o que era. Então toda essa nova geração, todas as bandas que se formaram durante esses anos para gente também é uma realização. Apesar de ter uma molecada nova na área que não tem muita noção das coisas, falta com um pouco de respeito, afinal estamos à tanto tempo na estrada, temos um serviço prestado ao reggae no Brasil, eu por exemplo como cantor da Tribo de Jah, DJ, produtor de reggae, sem querer me gabar longe disso, mas acredito que fui responsável por uma das maiores contribuições em relação ao reggae no Brasil do que qualquer outro possa ter tido, po, então, se o cara gosta de reggae não precisa gostar da Tribo, mas tem que haver um merecido respeito por tudo que fizemos pelo movimento no país. A Tribo foi a primeira banda a transpor para o português a temática reggae, nunca até aquele momento alguém havia falado de Jah, de Babilônia, em Roots, e viemos traduzindo esses termos e a temática e fazendo com que as pessoas entendessem o que isso quer dizer. Eu estou te falando isso, por que tem muito moleque aí que diz “a gente é quem faz reggae roots, Tribo de Jah não é roots” mas eles não sabem nem o que significa o termo Roots, por exemplo, o Luciano (um dos maiores nomes atuais do reggae mudnial) na Jamaica, implementou um monte de eletrônico à sua música, mas é considerado roots, o “new roots” da Jamaica, eu não considero roots, mas é “roots and culture” – raiz e cultura e os caras la piram com isso. Então, o cara que não sabe nem a procedência do termo diz que a Tribo não é roots? A Tribo nunca deixou de ser roots, mesmo quando gravamos o "Reggae na Estrada", e o pessoal criticou, quando fizemos uma música mais alegre, à pedido da gravadora, mas a banda nunca deixou de ser roots, nunca usou de eletrônica, nunca deixou de passar a mensagem, então eu acho que a galera desvirtuou o conceito da coisa e criticou quem não deveria ser criticado, tirando isso tem um pessoal muito bom aí sim, muita coisa positiva, uma galera fazendo um reggae legal, uma cena reggae em São Paulo fantástica, e a molecada nova que está vindo com a cultura reggae na veia está fazendo um trabalho legal, caras como o "Reggae Style", a "Lady Dai", uma típica paulistana do gueto mesmo e com reggae na veia total, "Darai Roots", antigo vocalista dos "Leões de Israel", fazendo um trabalho fantástico, cantando em inglês, português e até em creole, finalmente a cultura reggae foi assimilada, claro que ainda não pela grande massa brasileira, sempre falava da Jamaica brasileira no Maranhao, mas agora está surgindo mais uma Jamaica em Sampa, isso por que o Brasil com certeza tem vocação para o reggae. Além dos movimentos locais por todo Brasil, todo lugar tem suas bandas de reggae, qualquer Estado que você vá tem uma galera fazendo um som legal... só acho ridículo essa galera que nem saiu direito da casca do ovo, e não tem nenhum pouco de humildade e respeito pela galera que sempre vestiu a camisa do movimento e fez um puta trabalho com amor, o trabalho da Tribo sempre foi feito com amor, devoção e dedicação, então tem que repeitar, a molecada tem que levar uma bolacha na orelha pra aprender a respeitar o mais velho, está entendendo??, não precisa babar nem encher a bola, nem ligo que não goste, mas o respeito não pode faltar, até mesmo porque estão no reggae hoje, muito provavelmente graças às portas que a Tribo abriu, então esses que mordem o próprio rabo, que cospem no prato que comem tem que aprender a ter respeito.

(Site Reggae Vale) É possível afirmar que hoje, depois de tantos anos de luta, o Reggae está incorporado à cultura brasileira?

(Fauzi) Está sim. O Brasil é um país muito grande, com dimensões continetais, isso faz com que o fenômero aconteça de uma forma diferente. Veja o Maranhão como um polo irradiador que influencia o Ceará, o Piauí, o Pará, o Amapá, influencia Alagoas que tem salões de reggae nos moldes do Maranhão. O Maranhão tem artistas de reggae que não são conhecidos no sul, quem conhece Owen Gray, que é um dos maiores idolos do reggae no Maranhão? Jimmy London, Jack Brown, Stanley Benford, são ícones do reggae no Maranhão mas não são conhecidos no sul, tem um grande movimento de reggae no norte e nordeste que ainda não e conhecido no sul, acho que essa grande dimensão do país é o fator que faz com que os movimentos fiquem relativamente ilhados. Mas há um movimento de escala nacional, se você for à Brasilia, você encontra radiolas maranhenses, e a galera não sabe as vezes, tem a cena reggae central, mas aonde o bicho pega ainda é no gueto, na periferia. Isso não acontece apenas com o reggae, mas com muitos estilos musicais, por exemplo, o forró do nordeste não tem tramite no sul do país, aquele forro mais pausterizado da Bahia, do Ceará, aquele forró mais pesado que fazem o maior sucesso no norte mas que não fazem sucesso algum no sul. Mas no geral, o reggae tem penetração nacional, com suas varias nuances, e hoje você vai ao sul, sudeste e até o vovô, a titia sabe o que é reggae, não como antes, quando alguém perguntava o que a nós tocamos e diziamos: faço reggae, o cara falava, faz o que? Que bicho é esse??? (risos). É reggae, Bob Marley, tinha que explicar por que ninguém sabia, hoje isso já não acontece mais.

(Site Reggae Vale) 22 anos de carreira como você disse, e a banda é praticamente a mesma desde do começo, qual é o segredo dessa união?

(Fauzi) O segredo é o amor, a causa, a paixão pela música, pelo reggae, a Tribo é uma banda que é resultado direto do fenômeno do reggae no Maranhão, e o maranhense é apaixonado pelo reggae. Você vai para Caena, na Guiana Francesa, tem uma comunidade de uns 30 mil maranhenses la, e o que eles levam? O que eles tem em comum? O Reggae! Se vai no interior do Amazonas, no Projeto Jaripe, tem um monte de maranhenses, o que eles tem em comum, o gosto pelo Reggae. Esse traço cultural do Maranhão, que é a base da formação da Tribo, esse amor pelo reggae, e apesar de não ter nascido no Maranhão, eu fui adotado por eles, minha comunidade é no Maranhão, eu conheço todo mundo, essa é nossa cultura, o reggae, essa identidade reggae da Tribo está diretamente ligada às raízes da cultura maranhense, esse amor pela música reggae é a nossa razão de viver, claro que tratando de uma maneira poética, por que na real acredito que a verdadeira razão de viver de todos deve ser algo superior, DEUS, o Amor Divino...entende? Mas nosso passaporte para o mundo é o reggae, a cultura do Maranhão, é a bandeira que a gente carrega pelo mundo todo e acredito que o segredo está vinculado à essa identidade. A galera é muito simples, muito querida e isso facilitou muito esse tempo todo de união.
O pessoal no Maranhão achava que a gente era um bando de louco, diziam: po, essa galera não vai à lugar algum, e era muito dificil concorrer com as radiolas, os DJ’s fazem mais sucesso do que as bandas de reggae. Hoje estamos em Londres, e hoje a gente passou em Abbey Road e lembramos da capa dos Beatles que eles estão atravessando a rua ali e a próxima capa da Tribo vai ser a galera atravessando uma faixa de pedestres no Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, aí eu comentei, po, a gente está em Londres, a gente nunca imaginava ir tão longe!!! Tudo isso, graças à Deus é a união que perdurou todos esses anos. Estamos tocando para brasileiros fora do Brasil, mas também em muitos eventos para gringos mesmo e isso é fundamental, ainda disse pra banda: apaga tudo que já passamos, por que estamos començando agora! É o momento, é o prenuncio de uma carreira internacional realmente e estamos acreditando muito nisso, mais uma vez quebrando uma barreira.

(Site Reggae Vale) Assim como vocês quebraram barreiras no Brasil, abrindo as portas do reggae aos brasileiros, agora vocês estâo abrindo as portas do mundo para o reggae made in Brasil, mais uma vez sendo os pioneiros nesse novo recomeco, nâo?

(Fauzi) Exatamente!!! Graças à DEUS. A idéia da banda é de morar no exterior, estamos trabalhando nesse projeto.

(Site Reggae Vale) Estamos aqui em Londres de braços abertos para a Tribo de Jah, o que pudermos fazer para ajudar nessa nova etapa...

(Fauzi) Pô, valeu magnata. Acredito que estamos mais próximos dos Estados Unidos ou Canadá, principalmente pelo trabalho que vem sendo realizado la pela "Select", um trabalho de base muito forte e já com alguns frutos, aqui na Europa ainda é tudo muito novo para gente, não temos ainda uma base aqui. Mas já colocamos nosso pé aqui, o que é um grande começo! E você já é um parceiro da Tribo, sinta-se como nosso empresário aqui.

(Site Reggae Vale) E dos seus tempos de DJ/Produtor/Dono de Radiola, saudades? E os discos de vinil?

(Fauzi) Tenho muito vinil de reggae em casa que hoje nem na Jamaica você encontra mais, adoro trabalhar de DJ, minha sequência é radical, é aquele roots perdido no tempo, eu curto muito. Modéstia à parte, eu tenho uma coleção bem legal, é bom pra ouvir com a galera e tal, soltar o som pra rolar. Agora mesmo eu to desafiando o Tarcisio Selektah lá no Maranhão pra fazer um "Sound-Clash" (batalha de sound system) e eles não estão botando fé na minha seqüência, eu vou chegar lá quebrando tudo (risos).
Eu era dono de uma sound-system no Maranhão, o "Jah System" e fazia festa de reggae toda sexta, sábado e domingo, vivia disso.
Eu também tenho um orgulho muito grande dos tempos em que eu fazia programas de rádio de reggae, eu tinha 2 programas diários na rádio no Maranhão, de segunda à sábado e era a maior audiência do rádio no Maranhão, até cachorro na rua reconhecia minha voz (risos).
Eu me tornei uma celebridade no Maranhão não foi pela Tribo de Jah, foi pelos programas de rádio, e foi uma militância de anos nos guetos de São Luis, eu ia aos guetos mais barra pesadas de São Luis e era recebido como o rei, como a atração da festa, o Dj, todo mundo me conhecia. A galera fala do sucesso da Tribo, claro, 14 discos lançados, mais um DVD, graças à DEUS, mas a minha história no reggae no Brasil começa bem antes da banda ser formada, uma militãncia de anos e anos nos guetos, durante esses tempos de Dj quando eu ia àlugares onde ninguém queria entrar, nos piores guetos e sempre recebido com festa, como "O Cara", e acho que isso não tem preço, um aprendizado, uma base de carreira que eu tenho muito orgulho. Porra, eu fazia dois programas diários no rádio, sexta, sábado e domingo na sound-system, bicho, era reggae 24hrs por dia, vivia disso!!! Respirando reggae dia e noite e isso não posso desprezar. A gente ia à pequenos povoados perdidos no interior, às vezes de barco, não sabia nem onde a gente estava indo, às vezes pegávamos estradas de terra, só poeira, escutava o grave do baixo lá longe, som que vinha de quilometros, parava e analisava para onde ir...vamos por ali, tá ligado como é? Coisa fantástica.

Quando cheguei ao Maranhão, o reggae era completamente discriminado, e a gente fez o primeiro programa de reggae em uma Rádio FM por lá e subvertemos completamente o valor disso. O cara chegava pra você e perguntava: Você é regueiro ? e você respondia: não não não, não sou bandido, mas era a vergonha de dizer que gostava SIM do reggae, puta preconceito, mas conseguimos inverter completamente os valores, as coisas começaram a mudar com o programa da "RPM", e partir daí a explosão do reggae por lá também.

(Site Reggae Vale) Fauzi, depois de tanto tempo de estrada, você chega para um show, sobe ao palco, vê ali a velha guarda, antigos fãs da Tribo e vê também uma molecada nova, a segunda geração, como assimila isso?

(Fauzi) Vejo isso com muito otimisto, acho que isso é o passaporte de continuidade da banda, muitos jovens de 15,16 anos apaixonados pelaTribo e quando nasceram nós já estávamos na estrada, eles eram bebês e a banda já estava trabalhando. Uma responsabilidade grande fazer música pra essa molecada, legal ver também muitos pais que gostam da gente, o moleque leva o cd pra casa, os pais ouvem e começam a curtir o som, por isso não podemos vacilar, o propósito da banda é passar uma idéia construtiva, uma mensagem legal, um princípio, para manter a chama acesa não podemos vacilar.

(Site Reggae Vale) Fauzi, muito obrigado pelo tempo, pela oportunidade desse papo, e se lembre que estamos aí para o que vocês precisarem.

(Fauzi) Rodrigo, eu que agradeço, voce já éparceiro da banda e vamos manter essa conexão aí! Valeu!

 


Matéria, entrevista e fotos por: Rodrigo Mota (Reggaevale na Europa)