|
|
Tribo de Jah: está lançando
trabalho internacional, confira com exclusividade

A
Tribo de Jah está levando todo seu reggae às estradas
do mundo em uma turnê que até o fim do ano passará
por México, Estados Unidos, Guiana Francesa, Indonésia,
Austrália e provavelmente Japão.
De
passagem por Londres, depois de 4 shows no Canadá - onde
a banda lançou um CD duplo para o público canadense
e americano por uma das maiores gravadoras canadenses, a “Select”
- os Regueiros Guerreiros do Maranhão fizeram duas apresentações
na capital Britânica. E nós tivemos a chance de um
bate-papo bem descontraído com Fauzi Beydoun um pouco antes
da segunda apresentação da semana na casa de espetáculos
"Colliseum", ao sul de Londres (a primeira apresentação
foi no Guanabara, bar temático brasileiro que fica em Holborn,
centro da capital e onde a Tribo já havia se apresentado
no passado).
Confira
as fotos exclusivas do show da Tribo de Jah em Londres
Confira a entrevista exclusiva na íntegra
realizada por Rodrigo Mota (Reggaevale na Europa)
(Site
Reggae Vale) Quais são suas expectativas para essa nova turnê
internacional ?
(Fauzi)
A Tribo apesar de ter 22 anos de estrada, agora está em um
momento intenso de trabalho como nunca teve na carreira, estamos
vindo de 4 shows no Canadá, em Montreal e Toronto, onde nós
lançamos um disco duplo pela maior gravadora de lá,
a “Select”, especialmente para o público americano
e canadense, o que é um grande marco na carreira da banda,
os shows no Canadá tiverem uma cobertura da mídia
que nem os organizadores/produtores esperavam, a TV de maior audiência
por lá abriu espaço para a Tribo, e isso surpreendeu
a todos nós!
A banda já saiu do Brasil com um novo trabalho pronto que
é o "Refazendo", que vai sair pela Som Livre/LGK,
e é um trabalho muito importante também pelas mésicas
inéditas e releituras que marcaram os momentos especiais
da banda. O reconhecimento de todo esse tempo de trabalho, os elogios
principalmente pela originalidade da banda, como você sabe,
a gente toca em português, espanhol, francês e inglês
e adapta o repertório dependendo do lugar que estamos tocando,
esse diferencial tem recebido muitos elogios da midia, não
to dizendo que a banda seja melhor que outras ou nada do tipo, mas
esse reconhecimento e diferencial e muito gratificante!
Saindo aqui da Inglaterra agora, nós vamos ao México
e Estados Unidos para complementar a primeira parte dessa turnê,
e aí sim, voltar ao Brasil para o trabalho de divulgação
do novo álbum e para a gravação de um novo
DVD – Ao vivo na Amazônia (Live in Amazon), para o mercado
mundial. Acho que vai ser bem legal, nós vamos subir o Rio
Amazonas de barco, vamos tocar no Amapá, em Belém
do Pará, Manaus, São Luis, vamos fazer um documetário
sobre o reggae em São Luis para sair dentro do DVD, e muita
coisa que está vindo todo esse ano. Depois uma pequena pausa,
mas ainda esse ano, a partir de setembro, continuaremos a turnê
mundial, começando pela Güiana Francesa, Austrália,
Indonésia e provavelmente Japão, que ainda não
está confirmado. Como voce vê, tudo isso acontecendo,
algumas dessas coisas até que inesperadamente, estamos numa
correria doida e tentando administrar tudo de uma forma plausível,
para que dê para fazer tudo que queremos esse ano.
Então como você pode ver, tudo isso diretamente ligado
à essa nova fase da Tribo que é o mercado mundial,
estamos trabalhando focados no mercado mundial agora, ainda esse
ano temos convites para tocar na Jamaica através de uma produtora
local chamada "Junior Star", que tem sede em Nova York.
Depois ainda pretendemos voltar ao Estados Unidos e Canadá,
onde o trabalho de divulgação feito pela "Select"
está sendo intensivo, um trabalho de base mesmo, essas semanas
que estivemos lá já era possivel ver os discos nas
prateleiras e tal, um trabalho bem legal.
(Site Reggae Vale) O lançamento
do "Love to the World, Peace to the People" foi o momento
no qual vocês decidiram que era realmente a hora de botar
a cara no mundo e começar trabalhar focado para o mercado
mundial?
(Fauzi)
Pô, falei tudo aquilo, mas queria complementar isso aqui,
o disco "Babylon Inside", foi lançado na Argentina
para o mercado hispânico, que também é um marco
importante, além do mais, agora querem que a gente grave
tambem um DVD lá na Argentina, apenas com músicas
em espanhol para o público hispânico. Até falei:
pô magnata é muito lançamento, disco, dvd, agora
querem esse dvd, não sei se vai dar pra fazer esse ano não,
tudo esse ano uma correria doida, não temos nem agenda ainda
pra ir pra Argentina, mas vamos dar um jeito de ir lá e quem
sabe gravar esse DVD, ainda falei: pô distribui o que vamos
lançar e os caras disseram não, queremos que gravem
aqui.
Queriam em Setembro, aí falei: Setembro não dá,
estou trazendo o Clinton Fearon pra gravar o DVD com a gente lá
no Brasil e ele já está confirmado, vou tentar leva-lo
para Argentina também, mas enfim... como você perguntou
do "Love to the World", a Tribo ja vinha tocando mundo
afora à alguns anos, fizemos os maiores festivais de Reggae
do mundo, mas não tinhamos material para deixar especificamente
para esse público, então a gente teria que gravar
o CD, acho que foi o momento certo e tenho certeza de que o resultado
desse trabalho todo está vindo aí.
(Site Reggae Vale) O "Love to the
World, Peace to the People" foi lançado no momento independente
da banda, vocês ja tinham contato com a gravadora?
(Fauzi)
A banda escolheu, nós optamos por fazer o trabalho independente,
abandonamos a gravadora e lançamos o "Love to the World"
e o "Babylon Inside" de forma totalmente independente.
(Site
Reggae Vale) E essa ligação com a Som Livre agora
?
(Fauzi)
Isso aí foi um fato novo, que veio através do antigo
presidente da "Indie Records" (antiga gravadora da Tribo)
que lançou uma gravadora nova que é a LGK, ele está
sendo distribuído pela "Som Livre" e eles tiveram
total interesse em lançar esse trabalho novo da Tribo, o
que também é muito importante, pelo fato da "Som
Livre" ter essa projeção nacional muito grande,
e para gente a distribuição é muito importante.
(Site
Reggae Vale) Falando em distribuição, quando se faz
um trabalho independente como fica esse lance? Principalmente quando
se quer alcançar o mercado externo?
(Fauzi)
Não, não há distribuição, simplesmente
não rola, nao dá! Mesmo no Brasil por incrível
que pareça, a gente não teve distribuição
do CD.
(Site
Reggae Vale) E por esse motivo vocês decidiram disponibilizar
os álbuns para download?
(Fauzi)
Sim também, o objetivo é realmente divulgar, mais
importante do que comprar o disco o interessante é ouvir
o disco, e conhecer a música, e ter acesso ao trabalho. Como
não conseguimos uma distribuição como a gente
gostaria, propostas de distribuidoras tivemos muitas, mas não
achamos alguém que pudesse fazer o trabalho como gostariamos
e acabou que ficamos sem distribuição.
(Site Reggae Vale) O Projeto "Live
In Amazon" vai ser gravado durante a tour de lançamento
do "Refazendo" ou será um projeto à parte?
(Fauzi) Não, já éa tour de lançamento
do "Refazendo" e ao mesmo tempo a gravação
do DVD, e que vai ter a participação mais do que especial
do Clinton Fearon, que é um cara fantástico!!!! Uma
verdadeira raiz do reggae, ele é fundador dos "Gladiators",
é uma lenda viva do reggae. Eu particularmente tenho uma
admiração toda especial por ele, eu já trouxe
mais de 10 grandes nomes do reggae ao Brasil, a primeira vez que
"The Gladiators" vieram ao Brasil fui eu quem trouxe,
trouxe também U-Roy, Itals, e outros... Mas falando do Clinton,
eu tenho uma admiração muito especial por ele, ele
é uma pessoa maravilhosa, voce pode se apaixonar por ele
sem mesmo gostar da musica dele, e hoje em dia é muito raro
isso, uma coisa é o talento, e outra é o caráter
da pessoa, eu acho que só talendo sem caráter não
dá não...tivemos algumas decepções relacionadas
à isso... O Clinton ficou uns 10 dias em casa da última
vez que ele veio e foi muito legal, ficou bem à vontade e
até fez uma música que ele vai gravar que é
a “Home away from Home” – Casa Longe de Casa –
em que ele fala dessa vinda dele ao Brasil e dessa experiência
do lar longe da própria casa, muito bacana!!!
(Site Reggae Vale) Você participou
do projeto SOS Mata Atlântica à alguns meses em São
Paulo, o seu novo projeto "Live in Amazon" vai mostrar
ao mundo um dos lugares mais comentados e cobiçados da atualidade,
que é a Amazônia, como é essa relação
entre a música da Tribo e projetos sociais e de preservação
ambiental?
(Fauzi) A Tribo sempre gravou músicas de apelo ecologico.
No repertório da da banda tem algumas músicas do gênero
e nós gravamos também no "Love to the World"
algumas. Nesse novo trabalho que está saindo nós gravamos
uma música de um grande regueiro brasileiro, o Nengo Vieira,
que por sinal sou um grande fã, e essa música dele
eu acho genial que é “Mata Atlântica”,
a temática ecológica sempre esteve presente, músicas
como "Fogo e Água", que a gente gravou agora em
inglês no "Love to the World" (Water and Fire),
"Civilização Fluvial" e outras que também
serão inseridas nesse trabalho do DVD, o objetivo é
realmente fazer um apelo à preservação, respeito
à vida na verdade, não é? O que será
de nós sem a natureza? A sede de consumo, o capitalismo selvagem
está tornando a cada dia a vida mais dificil nesse planeta.
A gente está muito consiente disso e todos prevêem
dias muitos dificeis vindo pela frente, veja você, a babilônia
em chamas na California, o aquecimento global, o fogo queimando
tudo e a tendência é só piorar, inclusive nas
matas brasileiras.
(Site Reggae Vale) Ainda relacionado à natureza,
mas falando também um pouco de certos lugares especiais para
você, lugares esses muitas vezes presentes em suas letras.
Você poderia falar um pouco sobre o litoral norte paulista
que ta ali tão proximo ao Vale do Paraíba e da sua
admiração por Trindade por exemplo?
(Fauzi) O litoral norte de São Paulo, na minha opinião
é um dos cartões postais mais bonitos do Brasil e
é interessante porque não é explorado turisticamente.
É claro sim, a praia do paulista, do paulistano, mas tem
muito à oferecer, poderia ser um destino internacional, é
uma beleza linda. A mata, a serra, as cachoeiras e o mar, tudo ali
conectado de uma forma única no Brasil e talvez no mundo.
Falta a consciência das autoridades relacionadas ao turismo
no Brasil e principalmente em São Paulo de verem que aquela
região é uma pérola que pode muito bem ser
explorada. Claro que o litoral brasileiro em um todo é maravilhoso,
mas acredito que o litoral paulista merece um respeito maior das
autoridades. Você falou de Ubatuba, pê, eu tive uma
vida toda ali, começando lá na Prainha Branca de Bertioga
onde eu ia muito acampar, antes mesmo de ir para o Maranhâo,
ainda nâo tinham nem feito a Rio-Santos, acampava muito ali
no Camburi, em Sâo Sebastiâo e subia o litoral todo
em uns ônibus no estilo pau-de-arara, muitas vezes eles iam
pela praia, não tinha estrada ali não. Acampava também
lá no Camburi pertinho de Trindade, compus "2000 Anos"
ali, compus também minha primeira música em espanhol
lá, em parceria com um uruguaio louco que apareceu por lá,
a gente chamava ele de “El Gringo”, a música
“Ciudad y Puerto”, uma música linda mas nunca
a gravei. Subindo um pouquinho mais a gente chega em Trindade, não
é? A primeira vez que estive lá a estrada principal
era de terra, não tinha nada la, só um emporiozinho
de caiçara que só vendia enlatados... dali vinha a
sardinha em lata do almoço, as velas (risos)... isso foi
mais ou menos em 1981, então, tenho muitas histórias
ali, muitas boas lembranças, momento intensos e que estão
guardados no coração, por isso, o carinho tão
grande pelo litoral norte ali e toda aquela região.
(Site
Reggae Vale) Magnata, fala um pouco pra gente do que está
rolando no Brasil, como você esta vendo a cena Reggae no nosso
país? Algum nome em especial? Alguma nova revelação?
(Fauzi) O que me marcou no Brasil mais recentemente, lembrando que
eu estou mais em Sampa no momento, claro que eu acompanho a cena
desde que tudo comecou, a Tribo é uma das pioneiras no cenário,
e era frustrante para gente não ter essa cultura reggae no
Brasil, a gente tocava e amava o reggae mas ninguém sabia
nem o que era. Então toda essa nova geração,
todas as bandas que se formaram durante esses anos para gente também
é uma realização. Apesar de ter uma molecada
nova na área que não tem muita noção
das coisas, falta com um pouco de respeito, afinal estamos à
tanto tempo na estrada, temos um serviço prestado ao reggae
no Brasil, eu por exemplo como cantor da Tribo de Jah, DJ, produtor
de reggae, sem querer me gabar longe disso, mas acredito que fui
responsável por uma das maiores contribuições
em relação ao reggae no Brasil do que qualquer outro
possa ter tido, po, então, se o cara gosta de reggae não
precisa gostar da Tribo, mas tem que haver um merecido respeito
por tudo que fizemos pelo movimento no país. A Tribo foi
a primeira banda a transpor para o português a temática
reggae, nunca até aquele momento alguém havia falado
de Jah, de Babilônia, em Roots, e viemos traduzindo esses
termos e a temática e fazendo com que as pessoas entendessem
o que isso quer dizer. Eu estou te falando isso, por que tem muito
moleque aí que diz “a gente é quem faz reggae
roots, Tribo de Jah não é roots” mas eles não
sabem nem o que significa o termo Roots, por exemplo, o Luciano
(um dos maiores nomes atuais do reggae mudnial) na Jamaica, implementou
um monte de eletrônico à sua música, mas é
considerado roots, o “new roots” da Jamaica, eu não
considero roots, mas é “roots and culture” –
raiz e cultura e os caras la piram com isso. Então, o cara
que não sabe nem a procedência do termo diz que a Tribo
não é roots? A Tribo nunca deixou de ser roots, mesmo
quando gravamos o "Reggae na Estrada", e o pessoal criticou,
quando fizemos uma música mais alegre, à pedido da
gravadora, mas a banda nunca deixou de ser roots, nunca usou de
eletrônica, nunca deixou de passar a mensagem, então
eu acho que a galera desvirtuou o conceito da coisa e criticou quem
não deveria ser criticado, tirando isso tem um pessoal muito
bom aí sim, muita coisa positiva, uma galera fazendo um reggae
legal, uma cena reggae em São Paulo fantástica, e
a molecada nova que está vindo com a cultura reggae na veia
está fazendo um trabalho legal, caras como o "Reggae
Style", a "Lady Dai", uma típica paulistana
do gueto mesmo e com reggae na veia total, "Darai Roots",
antigo vocalista dos "Leões de Israel", fazendo
um trabalho fantástico, cantando em inglês, português
e até em creole, finalmente a cultura reggae foi assimilada,
claro que ainda não pela grande massa brasileira, sempre
falava da Jamaica brasileira no Maranhao, mas agora está
surgindo mais uma Jamaica em Sampa, isso por que o Brasil com certeza
tem vocação para o reggae. Além dos movimentos
locais por todo Brasil, todo lugar tem suas bandas de reggae, qualquer
Estado que você vá tem uma galera fazendo um som legal...
só acho ridículo essa galera que nem saiu direito
da casca do ovo, e não tem nenhum pouco de humildade e respeito
pela galera que sempre vestiu a camisa do movimento e fez um puta
trabalho com amor, o trabalho da Tribo sempre foi feito com amor,
devoção e dedicação, então tem
que repeitar, a molecada tem que levar uma bolacha na orelha pra
aprender a respeitar o mais velho, está entendendo??, não
precisa babar nem encher a bola, nem ligo que não goste,
mas o respeito não pode faltar, até mesmo porque estão
no reggae hoje, muito provavelmente graças às portas
que a Tribo abriu, então esses que mordem o próprio
rabo, que cospem no prato que comem tem que aprender a ter respeito.
(Site Reggae Vale) É possível afirmar que
hoje, depois de tantos anos de luta, o Reggae está incorporado
à cultura brasileira?
(Fauzi) Está sim. O Brasil é um país muito
grande, com dimensões continetais, isso faz com que o fenômero
aconteça de uma forma diferente. Veja o Maranhão como
um polo irradiador que influencia o Ceará, o Piauí,
o Pará, o Amapá, influencia Alagoas que tem salões
de reggae nos moldes do Maranhão. O Maranhão tem artistas
de reggae que não são conhecidos no sul, quem conhece
Owen Gray, que é um dos maiores idolos do reggae no Maranhão?
Jimmy London, Jack Brown, Stanley Benford, são ícones
do reggae no Maranhão mas não são conhecidos
no sul, tem um grande movimento de reggae no norte e nordeste que
ainda não e conhecido no sul, acho que essa grande dimensão
do país é o fator que faz com que os movimentos fiquem
relativamente ilhados. Mas há um movimento de escala nacional,
se você for à Brasilia, você encontra radiolas
maranhenses, e a galera não sabe as vezes, tem a cena reggae
central, mas aonde o bicho pega ainda é no gueto, na periferia.
Isso não acontece apenas com o reggae, mas com muitos estilos
musicais, por exemplo, o forró do nordeste não tem
tramite no sul do país, aquele forro mais pausterizado da
Bahia, do Ceará, aquele forró mais pesado que fazem
o maior sucesso no norte mas que não fazem sucesso algum
no sul. Mas no geral, o reggae tem penetração nacional,
com suas varias nuances, e hoje você vai ao sul, sudeste e
até o vovô, a titia sabe o que é reggae, não
como antes, quando alguém perguntava o que a nós tocamos
e diziamos: faço reggae, o cara falava, faz o que? Que bicho
é esse??? (risos). É reggae, Bob Marley, tinha que
explicar por que ninguém sabia, hoje isso já não
acontece mais.
(Site Reggae Vale) 22 anos de carreira como você disse,
e a banda é praticamente a mesma desde do começo,
qual é o segredo dessa união?
(Fauzi) O segredo é o amor, a causa, a paixão
pela música, pelo reggae, a Tribo é uma banda que
é resultado direto do fenômeno do reggae no Maranhão,
e o maranhense é apaixonado pelo reggae. Você vai para
Caena, na Guiana Francesa, tem uma comunidade de uns 30 mil maranhenses
la, e o que eles levam? O que eles tem em comum? O Reggae! Se vai
no interior do Amazonas, no Projeto Jaripe, tem um monte de maranhenses,
o que eles tem em comum, o gosto pelo Reggae. Esse traço
cultural do Maranhão, que é a base da formação
da Tribo, esse amor pelo reggae, e apesar de não ter nascido
no Maranhão, eu fui adotado por eles, minha comunidade é
no Maranhão, eu conheço todo mundo, essa é
nossa cultura, o reggae, essa identidade reggae da Tribo está
diretamente ligada às raízes da cultura maranhense,
esse amor pela música reggae é a nossa razão
de viver, claro que tratando de uma maneira poética, por
que na real acredito que a verdadeira razão de viver de todos
deve ser algo superior, DEUS, o Amor Divino...entende? Mas nosso
passaporte para o mundo é o reggae, a cultura do Maranhão,
é a bandeira que a gente carrega pelo mundo todo e acredito
que o segredo está vinculado à essa identidade. A
galera é muito simples, muito querida e isso facilitou muito
esse tempo todo de união.
O pessoal no Maranhão achava que a gente era um bando de
louco, diziam: po, essa galera não vai à lugar algum,
e era muito dificil concorrer com as radiolas, os DJ’s fazem
mais sucesso do que as bandas de reggae. Hoje estamos em Londres,
e hoje a gente passou em Abbey Road e lembramos da capa dos Beatles
que eles estão atravessando a rua ali e a próxima
capa da Tribo vai ser a galera atravessando uma faixa de pedestres
no Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, aí eu comentei,
po, a gente está em Londres, a gente nunca imaginava ir tão
longe!!! Tudo isso, graças à Deus é a união
que perdurou todos esses anos. Estamos tocando para brasileiros
fora do Brasil, mas também em muitos eventos para gringos
mesmo e isso é fundamental, ainda disse pra banda: apaga
tudo que já passamos, por que estamos començando agora!
É o momento, é o prenuncio de uma carreira internacional
realmente e estamos acreditando muito nisso, mais uma vez quebrando
uma barreira.
(Site Reggae Vale) Assim como vocês quebraram barreiras no
Brasil, abrindo as portas do reggae aos brasileiros, agora vocês
estâo abrindo as portas do mundo para o reggae made in Brasil,
mais uma vez sendo os pioneiros nesse novo recomeco, nâo?
(Fauzi) Exatamente!!! Graças à DEUS. A idéia
da banda é de morar no exterior, estamos trabalhando nesse
projeto.
(Site Reggae Vale) Estamos aqui em Londres de braços abertos
para a Tribo de Jah, o que pudermos fazer para ajudar nessa nova
etapa...
(Fauzi) Pô, valeu magnata. Acredito que estamos mais
próximos dos Estados Unidos ou Canadá, principalmente
pelo trabalho que vem sendo realizado la pela "Select",
um trabalho de base muito forte e já com alguns frutos, aqui
na Europa ainda é tudo muito novo para gente, não
temos ainda uma base aqui. Mas já colocamos nosso pé
aqui, o que é um grande começo! E você já
é um parceiro da Tribo, sinta-se como nosso empresário
aqui.
(Site Reggae Vale) E dos seus tempos de DJ/Produtor/Dono
de Radiola, saudades? E os discos de vinil?
(Fauzi) Tenho muito vinil de reggae em casa que hoje nem
na Jamaica você encontra mais, adoro trabalhar de DJ, minha
sequência é radical, é aquele roots perdido
no tempo, eu curto muito. Modéstia à parte, eu tenho
uma coleção bem legal, é bom pra ouvir com
a galera e tal, soltar o som pra rolar. Agora mesmo eu to desafiando
o Tarcisio Selektah lá no Maranhão pra fazer um "Sound-Clash"
(batalha de sound system) e eles não estão botando
fé na minha seqüência, eu vou chegar lá
quebrando tudo (risos).
Eu era dono de uma sound-system no Maranhão, o "Jah
System" e fazia festa de reggae toda sexta, sábado e
domingo, vivia disso.
Eu também tenho um orgulho muito grande dos tempos em que
eu fazia programas de rádio de reggae, eu tinha 2 programas
diários na rádio no Maranhão, de segunda à
sábado e era a maior audiência do rádio no Maranhão,
até cachorro na rua reconhecia minha voz (risos).
Eu me tornei uma celebridade no Maranhão não foi pela
Tribo de Jah, foi pelos programas de rádio, e foi uma militância
de anos nos guetos de São Luis, eu ia aos guetos mais barra
pesadas de São Luis e era recebido como o rei, como a atração
da festa, o Dj, todo mundo me conhecia. A galera fala do sucesso
da Tribo, claro, 14 discos lançados, mais um DVD, graças
à DEUS, mas a minha história no reggae no Brasil começa
bem antes da banda ser formada, uma militãncia de anos e
anos nos guetos, durante esses tempos de Dj quando eu ia àlugares
onde ninguém queria entrar, nos piores guetos e sempre recebido
com festa, como "O Cara", e acho que isso não tem
preço, um aprendizado, uma base de carreira que eu tenho
muito orgulho. Porra, eu fazia dois programas diários no
rádio, sexta, sábado e domingo na sound-system, bicho,
era reggae 24hrs por dia, vivia disso!!! Respirando reggae dia e
noite e isso não posso desprezar. A gente ia à pequenos
povoados perdidos no interior, às vezes de barco, não
sabia nem onde a gente estava indo, às vezes pegávamos
estradas de terra, só poeira, escutava o grave do baixo lá
longe, som que vinha de quilometros, parava e analisava para onde
ir...vamos por ali, tá ligado como é? Coisa fantástica.
Quando cheguei ao Maranhão, o reggae era completamente discriminado,
e a gente fez o primeiro programa de reggae em uma Rádio
FM por lá e subvertemos completamente o valor disso. O cara
chegava pra você e perguntava: Você é regueiro
? e você respondia: não não não, não
sou bandido, mas era a vergonha de dizer que gostava SIM do reggae,
puta preconceito, mas conseguimos inverter completamente os valores,
as coisas começaram a mudar com o programa da "RPM",
e partir daí a explosão do reggae por lá também.
(Site Reggae Vale) Fauzi, depois de tanto tempo de estrada, você
chega para um show, sobe ao palco, vê ali a velha guarda,
antigos fãs da Tribo e vê também uma molecada
nova, a segunda geração, como assimila isso?
(Fauzi) Vejo isso com muito otimisto, acho que isso é
o passaporte de continuidade da banda, muitos jovens de 15,16 anos
apaixonados pelaTribo e quando nasceram nós já estávamos
na estrada, eles eram bebês e a banda já estava trabalhando.
Uma responsabilidade grande fazer música pra essa molecada,
legal ver também muitos pais que gostam da gente, o moleque
leva o cd pra casa, os pais ouvem e começam a curtir o som,
por isso não podemos vacilar, o propósito da banda
é passar uma idéia construtiva, uma mensagem legal,
um princípio, para manter a chama acesa não podemos
vacilar.
(Site Reggae Vale) Fauzi, muito obrigado pelo tempo, pela oportunidade
desse papo, e se lembre que estamos aí para o que vocês
precisarem.
(Fauzi) Rodrigo, eu que agradeço, voce já
éparceiro da banda e vamos manter essa conexão aí!
Valeu!
Matéria, entrevista e fotos por:
Rodrigo Mota (Reggaevale na Europa)
|
|
|